(A → B) ∧ (A ∧ ¬B)

right!=wrong?

right!=wrong?

Tem-me ocorrido, nos últimos tempos, a sensação de que uma assustadoramente grande parcela das pessoas não se utiliza de argumentos para chegar à suas opiniões, mas sim faz o inverso: possui uma opinião, e então busca criar argumentos para fundamentá-la.

É consenso que ter uma opinião formada sobre algum assunto (e não mero palpite) requer o mínimo de ponderação. Esta ponderação só pode ser feita de um modo válido: através do uso da razão. Não falo daquela razão “ausente de juízo moral, totalmente objetiva e nada subjetiva,” pois ela simplesmente não existe. Especialmente nas Ciências Humanas, é tolice acreditar na existência de um processo lógico de pensamento que leva a um único resultado correto: pode haver (e frequentemente há) vários pontos de vista igualmente acertados sobre um assunto, se devidamente alicerçados.  E para que se atinja esse acerto, é indispensável uma fundamentação argumentativa, resultado não só de um processo mental individual, mas também da análise de outros pontos de vista, estudos e pesquisas, o que raramente acontece. Uma conclusão bem pensada é melhor que uma decisão precipitada, não importa o resultado.

Não é o que ocorre. O que se vê é uma horda que se utiliza da “razão” tão somente para justificar seus pontos de vista em vez de fundamentá-los. O que ocorre é o seguinte: um sujeito, quando confrontado com opiniões contrárias sobre dado tema, já possuindo uma opinião fixa, irrevogável, imutável e, com frequência, impensada sobre o assunto, buscará refutar esses argumentos não por crer que sua argumentação e razões são mais corretas, mas por discordar irracional e veementemente da opinião alheia, e querer desacreditá-la a qualquer custo. O que isto gera? Oras, visto que nosso sujeito (hipotético, devo frisar: qualquer semelhança com dezenas de pessoas que você conheça é mera coincidência) não chegou a sua conclusão por autorreflexão, mas por reprodução simples do que lhe parece “certo” – e tal costuma ser uma visão a ele imposta, de modo forçado ou sutil, por outras pessoas de seu círculo social – ele não possui argumentos para fundamentar sua opinião, por mais correta que ela possa estar. Assim, o que fará ele para alcançar seu objetivo e vencer a discussão? O que for necessário, desde utilizar-se de falácias, relativizar conceitos que deveriam ser óbvios, até o simples xingamento e vaia. Ouvir o outro lado, refletir sobre conceitos e questionar a própria posição acerca das coisas é muito difícil, e a saída mais fácil é sempre a mais escolhida. Nós estamos certos, ergo temos que provar isso.

Evidentemente, esse é um fenômeno global, que não escolhe visão política, ideologia, raça ou sexo. Todos são passíveis de agir assim, pois todos estamos acostumados a cometer dois erros crassos: buscar a saída mais fácil e nos pensarmos superiores a qualquer outra pessoa. É preciso se policiar para não cair nessa armadilha, que tem o potencial de tornar até a pessoa mais agradável um completo babaca.

Em suma: pense antes de falar.

Alguém que gosta de estudar coisas.

  2 comments for “(A → B) ∧ (A ∧ ¬B)

grite (baixo!)